sexta-feira , 6 março 2026
Economia

Renda dos brasileiros no 1º trimestre tem queda de 8,7% em um ano, diz Ipea

110

Trata-se do quarto trimestre consecutivo de queda na renda, na comparação anual

Os rendimentos habituais reais médios dos brasileiros recuaram 8,7% no primeiro trimestre de 2022 em comparação com o mesmo período do ano passado, para R$ 2.548, diz o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com base nos números da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (PnadC), divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira.

Trata-se do quarto trimestre consecutivo de queda na renda, na comparação anual. Considerando os trimestres móveis, o recuo da renda habitual é o décimo consecutivo acima de 5%.

A renda habitual considera apenas o fluxo constante de pagamentos do trabalhador, sem acréscimos extraordinários, como décimo terceiro salário, férias ou horas extras. Se considerarmos a renda média efetiva, que inclui esses recebimentos pontuais, a queda foi de 6,2%. Já em relação do mesmo período de 2020, o recuo foi de 8,5%.

O Ipea ressalta em carta de conjuntura que, apesar de parte desse movimento descendente ser o inverso do observado ao longo de 2020, quando os rendimentos habituais apresentaram um crescimento acelerado, a renda habitual encontra-se abaixo dos níveis observados antes da pandemia. Em comparação ao quarto trimestre, quando a renda média habitual atingiu o menor nível da série histórica do IBGE, iniciada há 10 anos, o valor de janeiro a março de 2022 é 1,5% maior. Outro movimento observado pelo instituto no primeiro trimestre de 2022 foi um novo aumento no número de domicílios sem renda do trabalho, que passaram a representar 23,3% do total.

Esse número havia saltado de 22,3% no primeiro trimestre de 2020 para 28,5% no segundo, por conta da pandemia. Nos três últimos meses de 2021, no entanto, caiu para 22,2%, aproximando-se dos patamares anteriores à pandemia. Todos os grupos demográficos tiveram diminuição na renda habitual. As maiores quedas foram registradas no Sudeste e Sul, entre os trabalhadores mais velhos e com ensino superior.

Na renda efetiva, trabalhadores do Norte, mais jovens e com ensino fundamental foram os únicos a apresentarem pequenos aumentos no primeiro trimestre de 2022. O pior impacto da queda nos rendimentos no primeiro trimestre foi nos trabalhadores do setor público, com quedas da renda habitual e efetiva de 12,9% e 10,9%, respectivamente. Os empregados do setor privado (com carteira ou sem carteira) também apresentaram quedas nos rendimentos, porém menores que as observadas no trimestre anterior, diz o Ipea.

Os trabalhadores por conta própria, que haviam registrado um crescimento da renda efetiva nos últimos trimestres, e apresentado quedas menores na renda habitual, mostraram uma deterioração da renda no início de 2022, com quedas das rendas efetivas e habituais de 2,8% e 6,4% respectivamente.

Renda domiciliar por pessoa – O rendimento médio mensal domiciliar por pessoa caiu 6,9% em 2021, de R$ 1.454 em 2020 para R$ 1.353, informou o IBGE nesta sexta-feira (10). Esse é o menor valor da série histórica, iniciada em 2012. Apesar de disseminada entre as classes sociais, a queda na renda foi maior entre as pessoas com menor rendimento. A pesquisa mostra que, entre os 5% de menor renda (R$ 39), o recuo foi de 33,9%. Entre os de 5% a 10% (R$ 148) caiu 31,8%. Já entre o 1% com maior renda (R$ 15.940) caiu 6,4%.

“Ou seja, em 2021, o 1% da população brasileira com renda mais alta teve rendimento 38,4 vezes maior que a média dos 50% com as menores remunerações”, diz a pesquisa.

Norte e Nordeste registraram os menores valores, R$ 871 e R$ 843, respectivamente, e também as maiores perdas entre 2020 e 2021, de 9,8% e 12,5%, diz o instituto.

Sul e Sudeste se mantiveram com os maiores rendimentos, de R$ 1.656 e R$ 1.645, respectivamente. (Com Informações da CNN)

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Templo religioso em Brasília com Câmara Legislativa ao fundo, representando isenção de taxas e críticas por privilégios fiscais.
Distrito FederalEconomiaPolítica

Cldf aprova isenção de taxas para templos e desperta críticas por privilégios fiscais

CLDF aprova isenção de taxas para templos, gerando críticas por privilégios fiscais...

Mercado Ceasa no DF com caixas de frutas e caminhões sob céu nublado, representando aprovação de verbas com críticas por falta de transparência.
Distrito FederalEconomiaPolítica

Cldf aprova R$ 15 milhões para Ceasa em meio a críticas por falta de transparência

CLDF aprova crédito de R$ 15 milhões para Ceasa, mas falta de...

Edifício da CLDF em Brasília sob céu nublado, simbolizando críticas ao presidente do BRB por falta de transparência na gestão.
Distrito FederalEconomiaPolítica

Presidente do BRB enfrenta críticas na CLDF por falta de transparência na gestão

Presidente do BRB enfrenta críticas na CLDF por falta de transparência na...