Nos últimos dez anos, o surgimento das agências de checagem no Brasil mudou significativamente o cenário do jornalismo e da política. Desde a criação do site Aos Fatos em julho de 2015, seguido pela Agência Lupa em novembro do mesmo ano, Uol Confere em 2017 e Estadão Verifica em 2018, essas quatro agências, todas membros da Aliança Internacional de Checagem de Fatos (IFCN), têm desempenhado um papel crucial. Tai Nalon, diretora executiva da Aos Fatos, e Natália Leal, diretora da Agência Lupa, destacaram em entrevista à Agência Brasil que a checagem de fatos se tornou essencial para combater a desinformação ampliada pelas redes sociais, que passaram a ser usadas por políticos para se comunicar diretamente com o eleitorado sem a mediação dos grandes veículos de comunicação.
A checagem de fatos não só desmascarou afirmações falsas ou enganosas de políticos, mas também influenciou a forma como eles se expressam publicamente. Durante as últimas eleições, foi comum ouvir políticos mencionando a necessidade de verificar informações antes de falar, temendo a refutação por parte das agências de checagem. Além disso, o jornalismo em geral se tornou mais assertivo, especialmente após a pandemia, com uma mudança de prática de apenas reproduzir declarações de autoridades para uma abordagem mais investigativa. Por exemplo, quando Bolsonaro fez declarações sobre vacinas, estudos foram apresentados para desmenti-las.
Aos Fatos, ao completar dez anos, divulgou que realizou mais de 19 mil checagens, com 15 mil confirmando a veracidade de declarações de 167 figuras públicas e quase 4 mil desmentindo boatos. A desinformação política e eleitoral foi o foco de 2.105 checagens, enquanto a saúde foi abordada em 594. Em 2020, com a pandemia, houve um pico de 718 checagens, muitas relacionadas a vacinas. Durante os 1.459 dias do governo Jair Bolsonaro, foram checadas 1.610 declarações, resultando em 6.685 afirmações falsas ou distorcidas, com uma média de pelo menos quatro mentiras por dia.