A gastronomia ancestral é mais do que cozinhar; é uma prática que envolve hábitos alimentares e tradições passadas de geração em geração, refletindo a identidade cultural. O projeto Fufu Ajayô, idealizado pela Aguiar Conexões Criativas em parceria com o Coletivo da Cidade e apoio da Casa Orí Ayô, busca aproximar essa alimentação do público através de oficinas gratuitas. Essas oficinas são direcionadas a mulheres negras e LGBTQIAPN+ da Cidade Estrutural, combinando gastronomia com gestão de negócios. “Mais do que um curso, o Fufu Ajayô é uma celebração da resistência, do afeto e da potência transformadora das mulheres negras por meio da comida”, destaca Ray Preta, coordenadora do projeto.
Tássia Aguiar, também coordenadora, enfatiza que a gastronomia é uma arte e que a iniciativa visa compartilhar essa visão com as participantes. “Ray e eu somos um casal e abrimos um restaurante vegano. Queremos que outras mulheres negras e periféricas também possam empreender com essa experiência”, explica Tássia. As oficinas têm um impacto profundo, como relata Rosana Mendes, participante do projeto, que após enfrentar um câncer, vê na iniciativa uma forma de se reinventar. “Conhecer essa cultura e me aproximar dessa cozinha tem sido algo maravilhoso”, comenta ela.
Domingas Conceição Silva, outra participante, busca protagonismo na cozinha. “Apesar de baiana, não conheço muito da cultura por trás da gastronomia. Dividir a cozinha com outras mulheres é especial”, diz. As oficinas, que ocorrem durante todo o mês, focam em pratos típicos, sustentabilidade e inclusão. Em uma das sessões, as participantes aprenderam a fazer acarajé com Mãe Francys de Oyá, que destaca o poder empoderador da comida. “Essa comida traz empoderamento e autoestima, transformando tristeza em alegria”, afirma.