Uma pediatra de 40 anos, Naheri de Almeida Pennafort, foi vítima de um ataque por cerca de 10 cães de rua na manhã desta quarta-feira (23/7), na L4 Norte, em Brasília. O incidente ocorreu por volta das 7h, enquanto ela saía para correr, resultando em mordidas nas panturrilhas, coxas, nádegas e costelas. Atendida pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), a vítima foi levada ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran), onde uma ressonância magnética revelou microfraturas no pulso. Agora, ela aguarda avaliação para uma possível cirurgia. O caso ganhou repercussão após um áudio desesperado enviado pela corredora a um grupo de amigas, pedindo socorro imediato.
O episódio reacende o debate sobre as políticas públicas de controle de animais abandonados no Distrito Federal, uma questão recorrente na agenda política local. Autoridades do governo distrital, incluindo a Secretaria de Meio Ambiente e a Agência de Fiscalização (Agefis), têm sido criticadas por insuficiência em programas de castração e recolhimento de cães de rua. Em anos recentes, projetos de lei na Câmara Legislativa do DF propuseram medidas mais rigorosas, como parcerias com ONGs para abrigos e campanhas de adoção, mas muitos permanecem engavetados devido a disputas orçamentárias e prioridades políticas. Especialistas alertam que a superpopulação de animais errantes representa não apenas um risco à segurança pública, mas também um desafio ético e sanitário para a capital.
Diante do ataque, lideranças políticas oposicionistas cobraram ações imediatas do governador Ibaneis Rocha, sugerindo a criação de um fundo específico para o manejo de animais abandonados. Representantes da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Legislativa anunciaram uma audiência pública para discutir o tema, com participação de veterinários e moradores afetados. Enquanto isso, a vítima, ainda em recuperação, destacou em relatos a necessidade de maior fiscalização nas áreas residenciais. O incidente ilustra as consequências de lacunas em políticas urbanas, pressionando por reformas que equilibrem bem-estar animal e proteção à população.