Uma carcaça de Boeing 767-200, pertencente à falida companhia aérea Transbrasil, atrai olhares curiosos na Avenida Elmo Serejo, em Taguatinga, no Distrito Federal. Há 11 anos estacionada em um terreno baldio próximo ao Parque Ecológico Saburo Onoyama, a aeronave está pichada, vandalizada e em estado de deterioração avançada, com buracos na fuselagem revelando entulhos e fios expostos no interior. Sem turbinas ou trem de pouso, o avião de 82 toneladas é sustentado por 12 estacas de aço, e ventos fortes fazem as chapas de aço das asas ecoarem sons metálicos. Recentemente, um grupo de ciclistas invadiu o local e gravou um vídeo mostrando os destroços internos, que viralizou nas redes sociais.
Comprado em 2014 pelos empresários Almir Lopes, Charles Maryoshi e João Batista de Souza por cerca de R$ 100 mil em um leilão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o avião foi vendido como sucata após a falência da Transbrasil em 2001. A intenção era transformá-lo em um restaurante temático, mas o projeto nunca saiu do papel devido a crises financeiras e falta de alvarás junto à Administração Regional de Taguatinga. Antes da venda, técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) removeram peças com amerício-241 das asas, um material radioativo de baixa intensidade usado para medir densidade de combustível.
Atualmente, o empreendimento pertence apenas a Charles Maryoshi, dono do Grupo Kireibara, que mantém uma floricultura e uma loja de açaí no terreno. Funcionários relatam que curiosos, incluindo famílias com crianças, visitam o local com frequência, aproximando-se da estrutura abandonada. Maryoshi indicou que há planos futuros para o avião, mas detalhes ainda não foram revelados, deixando o destino da carcaça como uma incógnita em meio ao tráfego diário de cerca de 200 mil pessoas na avenida.