sexta-feira , 6 março 2026
Saúde

Febre oropouche explode no Espírito Santo e alerta autoridades para crise nacional de saúde

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A febre oropouche, outrora restrita à Região Amazônica, se espalhou dramaticamente pelo Brasil em 2023, com o Espírito Santo registrando o maior número de casos: 6.318 até agora. Infectando 18 estados e o Distrito Federal, a doença soma 11.805 registros neste ano, superando os números de 2022 e resultando em cinco mortes confirmadas – quatro no Rio de Janeiro e uma no Espírito Santo –, além de duas em investigação. Autoridades de saúde, como o Ministério da Saúde, atribuem a proliferação a uma nova linhagem do vírus originada no Amazonas, ligada a desmatamentos recentes no sul do estado e no norte de Rondônia, facilitando a dispersão por meio de pessoas infectadas que viajam antes de manifestar sintomas.

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, como Felipe Naveca, destacam o papel das mudanças climáticas e eventos extremos, como o El Niño, na disseminação, com variáveis como temperatura e chuvas contribuindo em 60% para os surtos em seis países sul-americanos, incluindo o Brasil. O vetor principal, o mosquito Culicoides paraensis ou maruim, prolifera em áreas úmidas com matéria orgânica, comuns em plantações como as de banana e café, o que explica os focos em regiões periurbanas. No Espírito Santo, o subsecretário de Vigilância em Saúde, Orlei Cardoso, aponta a colheita de café e o fluxo de trabalhadores migrantes como fatores agravantes, enquanto o estado investe em treinamento de profissionais para diferenciar a doença de arboviroses como dengue.

No Nordeste, o Ceará registra 674 casos, concentrados inicialmente em áreas rurais de plantio de banana, cacau e mandioca, expandindo-se para cidades como Baturité. O secretário executivo Antonio Lima Neto enfatiza desafios no controle vetorial, diferente do Aedes aegypti, e a necessidade de barreiras químicas entre plantações e habitações. O Ministério da Saúde reforça monitoramento, parcerias com Fiocruz e Embrapa para testes de inseticidas, e recomenda medidas preventivas como uso de roupas protetoras e eliminação de criadouros, especialmente para gestantes, devido a riscos de complicações fetais semelhantes ao zika.

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