Fernando Braz, irmão de Amanda Martins Machado, recorda o momento em que recebeu a notícia da morte da jovem nutricionista de 27 anos, atropelada enquanto pedalava na marginal norte da Estrada Parque Taguatinga (EPTG) em 24 de novembro de 2024. O motorista dirigia a mais de 100 km/h em uma via limitada a 60 km/h, resultando na instalação de uma ghost bike no local para homenagear a vítima e alertar sobre os perigos do trânsito. No Distrito Federal, o Departamento de Trânsito (Detran/DF) registra uma média de 280 mortes por ano na última década, totalizando 2.829 óbitos, enquanto dados do Ministério da Saúde apontam 34.881 mortes no Brasil em 2023, um aumento de 2,91% em relação ao ano anterior.
Especialistas como Hartmut Günther, professor de psicologia ambiental e do trânsito da Universidade de Brasília (UnB), explicam que a normalização dessas mortes leva a uma falta de sensibilização coletiva, afetando a responsabilidade dos condutores e retardando medidas de prevenção. Um levantamento da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) destaca causas como falta de reação ao volante, velocidade excessiva e ingestão de álcool, reforçando que esses sinistros são evitáveis. No DF, 229 pessoas morreram nas vias em 2024, número 151% superior às mortes por arma de fogo no mesmo período, e até maio de 2025 já foram registradas 107 mortes, 15 a mais que no ano anterior.
Memoriais como cruzes e ghost bikes, como os de Antônio Marcos dos Santos e Anísio de Oliveira na BR-020 em Sobradinho, servem como alertas informais para trechos perigosos, onde a Polícia Rodoviária Federal (PRF) contabilizou 264 sinistros nos últimos cinco anos. O historiador Renner Vilela defende que esses elementos sacralizam espaços e promovem atenção redobrada, mas a lentidão em políticas de segurança viária, como a construção de ciclovias, continua a expor vulnerabilidades, especialmente para ciclistas e pedestres em vias movimentadas.