Áudios divulgados nesta segunda-feira (28/7) revelam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) orientando aliados a assinarem um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o Supremo Tribunal Federal (STF). As conversas, obtidas pela Polícia Federal em 2023 durante a apreensão de um celular de Bolsonaro, mostram articulações políticas mantidas por ele após o fim do mandato. Em um dos trechos, Bolsonaro dialoga com o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), incentivando-o a aderir à CPI sobre abuso de autoridade direcionada aos ministros do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Hélio expressa receio de consequências jurídicas, inclusive para o próprio ex-presidente, mas acaba assinando o pedido.
Os diálogos também registram reclamações de Bolsonaro sobre reportagens que o associam a casos de joias e corrupção, além de seu incômodo com o rótulo de “extrema direita”. Outro destaque é um convite do ex-embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, para uma viagem de 14 dias ao país com todas as despesas pagas, embora não haja confirmação de que Bolsonaro tenha aceitado. Além disso, o ex-presidente demonstra preocupação em preservar o apoio do agronegócio, um setor fundamental de sua base política, especialmente no início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.
Atualmente réu no STF, Bolsonaro está sujeito a medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, restrições de horários e deslocamentos, proibição de acesso a redes sociais e vedação de contato com o filho Eduardo Bolsonaro, que se encontra nos Estados Unidos licenciado do mandato de deputado federal. As mensagens foram extraídas de um celular apreendido em 2023, e uma operação recente resultou na apreensão de outro aparelho, ainda em análise pela PF.