O técnico de pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Erivelton Guedes, alerta que a expansão de serviços como Uber Moto e 99 Moto representa uma “tragédia anunciada” em um trânsito já marcado por alta mortalidade. Doutor em engenharia de transporte, Guedes contribuiu para o Atlas da Violência 2025, que registra um aumento de mortes no trânsito de 31.945 em 2019 para 34.881 em 2023, com motos respondendo por uma em cada três vítimas. Ele critica regulamentações que podem incentivar o uso, dando falsa sensação de segurança, e prevê um agravamento com dados de 2024, especialmente pela exposição maior dos passageiros, que frequentemente carecem de experiência e vestimenta adequada.
O presidente da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), Antonio Meira Júnior, reforça a vulnerabilidade: a letalidade em motos é 17 vezes maior que em automóveis, com riscos de lesões graves e sequelas permanentes que impactam famílias e a sociedade. Um exemplo é o caso da assistente social Erika Rogatti, que sofreu fraturas e dores crônicas após uma queda em baixa velocidade no Rio de Janeiro. Especialistas como Glaydston Ribeiro, da Coppe/UFRJ, ligam o fenômeno à precariedade do transporte público nas periferias, impulsionando soluções arriscadas por necessidade econômica.
Guedes destaca a dificuldade de suspender esses serviços devido à pressão das empresas e à demanda por renda, sugerindo que o poder público ofereça alternativas de emprego saudável. As plataformas, por sua vez, defendem medidas de segurança, como verificações de identidade, seguros e alertas de velocidade, e contestam responsabilidade majoritária, apontando que seus motociclistas representam apenas 2,3% da frota nacional, com taxas de acidentes inferiores à média.