O governo federal brasileiro deve apresentar nesta semana uma lista de medidas para mitigar o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos nacionais. O vice-presidente Geraldo Alckmin desmarcou compromissos em São Paulo e retornou a Brasília para um “compromisso inadiável” às vésperas do anúncio do plano de contingência. Alckmin enfatizou que a prioridade não é retaliar, mas resolver a questão, buscando ampliar setores excluídos das tarifas, consideradas injustas. Ele alertou para preocupações dos exportadores com cargas em trânsito, embora o decreto de Donald Trump isente produtos já embarcados e em fase final de traslado. As tarifas, que entraram em vigor na quarta-feira, adicionam 40% sobre importações brasileiras, somando-se à alíquota de 10% já existente.
O plano de contingência abrange três eixos principais. O governo estuda lançar ao menos duas linhas de crédito: uma para exportadores diretos aos EUA e outra para afetados indiretamente. Outro eixo inclui compras públicas de mercadorias perecíveis sem licitação, destinadas a abastecer restaurantes populares. Além disso, avalia-se o adiamento de tributos e contribuições federais por até dois meses para aliviar a pressão financeira sobre as empresas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) contribuiu com propostas, como uma linha de crédito especial do BNDES com juros reduzidos.
Na próxima quarta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, terá uma reunião virtual com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para insistir no diálogo. Haddad afirmou que não discutirá questões de soberania ou interferências no Judiciário brasileiro, mas a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, pode ser abordada. A sanção criticou Moraes por supostas violações de direitos humanos e censura. Cerca de 44,6% da pauta exportadora brasileira foi poupada, incluindo petróleo e aviões, mas a CNI estima impacto significativo, com possível queda de 0,37% no PIB americano devido às barreiras tarifárias.