O governo federal anuncia nesta quinta-feira um pacote de medidas para apoiar exportadores afetados pela tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos como aço, alumínio, etanol e itens agrícolas. O evento ocorre às 11h30 no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de empresários. Lula assinará uma medida provisória que cria uma linha de crédito de R$ 30 bilhões destinada principalmente a pequenas empresas que exportam para os EUA, as mais prejudicadas pelo tarifaço anunciado por Donald Trump. Em entrevista à rádio BandNews FM, o presidente indicou que o valor pode ser aumentado se necessário e enfatizou o compromisso em preservar empregos e buscar novos mercados para as empresas brasileiras.
Entre as ações, está a alteração no Fundo de Garantia à Exportação (FGE), gerido pelo BNDES, para disponibilizar os recursos prometidos. Lula destacou que o Brasil busca uma solução na Organização Mundial do Comércio (OMC), onde já oficializou uma consulta, mas evitou posturas agressivas, priorizando as consequências para o povo brasileiro e as relações com os EUA. O presidente também mencionou um programa de compras governamentais via BNDES para itens que seriam exportados aos EUA, e observou que os americanos já sentem os efeitos internos das tarifas.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o plano visa reduzir impactos econômicos e sociais, com o texto finalizado após reuniões com o setor produtivo. Uma reunião virtual com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, foi cancelada, e agora cabe aos americanos retomar negociações. O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, defendeu a diversificação de mercados, como China e Índia, criticando a abordagem norte-americana. Uma pesquisa da Ipsos-Ipec revela que 75% dos brasileiros veem o tarifaço como político, com 68% apoiando priorizar parcerias com China e União Europeia, refletindo polarização interna.