As filhas de Iara Barbosa dos Santos, uma brasileira de 42 anos que morreu em um acidente de trânsito em Portugal, estão há quase um ano em um lar temporário em Lisboa. Iara, originária da Baixada Fluminense no Rio de Janeiro, mudou-se para o país europeu em maio de 2023 com as meninas de 15 e 10 anos em busca de melhores oportunidades. Ela trabalhava como motorista e faleceu em outubro de 2023 após uma colisão na Ponte Salgueiro Maia, em Santarém, onde sua moto foi atingida por uma van e ela acabou atropelada por outro veículo. As irmãs, frutos de relacionamentos diferentes, ficaram sozinhas no país e foram inicialmente acolhidas por amigos da igreja frequentada pela mãe, antes de serem transferidas para um abrigo.
Os pais das meninas, residentes no Brasil, enfrentam dificuldades para restabelecer contato e trazê-las de volta. Marcos Aurélio da Silva, pai da caçula, relata que as conversas por videochamada diminuíram com o tempo, e as meninas passaram a negar laços familiares anteriores, expressando relutância em retornar. Ele iniciou uma batalha judicial em Portugal, mas o lar temporário tem dificultado as comunicações, exigindo agendamentos formais que não são respondidos. Para prosseguir, Marcos enviou documentos comprovando sua capacidade de acolhê-las, incluindo fotos de sua casa e contracheques.
Recentemente, um despacho do Tribunal Judicial da Comarca de Santarém proibiu Marcos de contatar a filha, acatando o parecer de uma psicóloga que alegou inexistência de relação prévia e desconforto emocional da criança. O pai nega as alegações e pede apoio das autoridades para restabelecer o convívio, temendo pela segurança das meninas, que contam apenas com um primo distante em Portugal. Ele não pode deixar o emprego para viajar ao país. A reportagem buscou posicionamento do Ministério das Relações Exteriores e da Embaixada do Brasil em Lisboa, sem retorno até o momento.