A Região Metropolitana do Rio de Janeiro sediará até o fim de agosto a 5ª Mostra de Cinema Árabe Feminino, com exibições de dezenas de filmes em locais como o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ), o Cine Arte UFF em Niterói e a Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF/Uerj) em Duque de Caxias. A programação, que começa nesta sexta-feira (22) e se estende até o dia 30 no CCBB-RJ, destaca temas urgentes como o genocídio palestino, a resistência cultural e a preservação da memória em contextos de violência. Uma novidade é o projeto “Solidariedade Brasil-Árabe”, que promove sessões conjuntas de produções árabes e brasileiras, aproximando narrativas de resistência, como os filmes palestinos Slingshot Hip Hop e O Protesto Silencioso: Jerusalém 1929 exibidos ao lado dos brasileiros Sua Majestade, o Passinho e O Canto das Margaridas.
A curadoria é assinada pela egípcia Alia Ayman, a mineira Analu Bambirra e a pernambucana Carol Almeida, que desde 2019 apresentam um panorama do cinema árabe contemporâneo produzido por mulheres. A seleção inclui filmes inéditos no Brasil, como Rainhas, além de obras como A Canção da Besta, Dançando a Palestina e Neo Nahda, que exploram identidade, diáspora e resistência. Esses temas dialogam diretamente com questões políticas globais, enfatizando a luta contra a marginalização de vozes árabes e femininas em um contexto de decadência política autoritária e racista.
Um dos destaques é a masterclass online da libanesa Rania Stephan, marcada para 24 de agosto, sobre o uso de imagens de arquivo em suas obras, incluindo o filme Os três desaparecimentos de Soad Hosni, que resgata a trajetória da atriz egípcia Soad Hosni, apelidada de “cinderela do cinema árabe”. Em entrevista à Agência Brasil, Stephan reflete sobre sua carreira e o impacto de perspectivas femininas e árabes no cinema, citando seu documentário sobre Gaza como uma resposta artística às guerras israelenses no território, em referência ao conto de Ghassan Kanafani. Ela enfatiza a necessidade de ampliar vozes diversas para combater representações simplistas do mundo, especialmente em tempos de supressão de narrativas marginalizadas.