sexta-feira , 6 março 2026
Meio Ambiente e Ecologia

Brasil rejeita pedido da ONU para subsidiar delegações na COP30 e enfrenta críticas por exclusão

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O governo brasileiro rejeitou uma proposta da Organização das Nações Unidas (ONU) para conceder subsídios diretos às delegações de países menos desenvolvidos que participarão da Conferência do Clima (COP30), marcada para novembro em Belém. A ONU solicitou US$ 100 por dia para representantes de nações vulneráveis, mas a resposta foi negativa. A secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou que não cabe aos brasileiros arcarem com custos de delegações estrangeiras, destacando que o país já assume despesas significativas para o evento. Ela defendeu uma revisão nos valores repassados pela própria ONU, comparando os US$ 144 fixados para Belém com os US$ 400 pagos em Bonn, na Alemanha, e sugeriu um patamar de US$ 250, equivalente ao de cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro.

Apesar do impasse, o Palácio do Planalto avalia que as tensões estão diminuindo e planeja criar uma força-tarefa com ministérios como Relações Exteriores, Turismo e Meio Ambiente para auxiliar nas negociações de hospedagem. A decisão ocorre em meio a queixas sobre preços abusivos de hotéis em Belém, até 10 vezes mais altos que o habitual, o que levou o Observatório do Clima a alertar que a COP30 pode se tornar a mais excludente da história, excluindo países pobres e organizações da sociedade civil. Segundo o secretário extraordinário da COP, Valter Correia, 47 países confirmaram presença com reservas, sendo 39 via plataforma governamental e oito por conta própria, incluindo Egito, Espanha e Japão.

Especialistas criticam a escolha de Belém por limitações logísticas, apesar do simbolismo. O cientista político Leonardo Paz Neves, da Fundação Getulio Vargas, aponta que a cidade carece de infraestrutura para um evento desse porte, o que prejudica a imagem do Brasil e enfraquece seu papel como ponte entre nações ricas e pobres. Sara Ribeiro, do Instituto Internacional Arayara, destaca falhas de planejamento e contradições, como a exploração de petróleo pela Petrobras, questionando a liderança brasileira no clima. Ambos expressam ceticismo sobre avanços significativos na conferência, citando contextos globais como a guerra na Ucrânia e eleições nos EUA.

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