A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enviou respostas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negando que ele planejava pedir asilo político na Argentina. Os advogados afirmaram que Bolsonaro não descumpriu as medidas cautelares impostas pelo ministro. O esclarecimento foi apresentado na noite de sexta-feira (22), em meio a investigações sobre um rascunho de pedido de asilo encontrado no celular do ex-presidente.
O documento, datado de 10 de fevereiro de 2024 e recuperado por meio de um backup pela Polícia Federal (PF), alega perseguição política. A defesa argumenta que o rascunho não pode ser visto como indício de fuga, pois o processo criminal que gerou as cautelares foi iniciado um ano depois. Eles ainda acusam a PF de expor o material para gerar manchetes impactantes no Brasil e no exterior, especialmente a pouco mais de 10 dias de um julgamento, com o objetivo de desmoralizar Bolsonaro, que continua sendo um líder político.
O relatório da PF, apresentado na quarta-feira (20), indiciou Bolsonaro e seu filho Eduardo por coação em uma ação penal relacionada a um suposto golpe de Estado. A defesa classificou o documento como uma “peça política”, repleto de áudios e prints de conversas irrelevantes, como brigas familiares e discussões sobre apoios políticos, como o governador Tarcísio ou um dos filhos para a Presidência. Os advogados destacam que Bolsonaro nunca foi proibido de usar WhatsApp ou trocar mensagens.
A peça enviada ao STF enfatiza que o relatório dedica espaço a diálogos sem relevância para a investigação, como xingamentos entre pai e filho após uma entrevista onde Eduardo foi chamado de “imaturo”. A defesa sustenta que tais elementos expõem a vida privada de forma desnecessária e descabida.