No primeiro dia do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o relator Alexandre de Moraes criticou tentativas de interferência externa, incluindo sanções impostas pelos Estados Unidos. Ele destacou que condutas dolosas, como as tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump no mês passado, visavam frear o processo contra Bolsonaro, mas não afetariam a imparcialidade do STF. Moraes também mencionou a sanção contra si mesmo pela Lei Magnitsky, que bloqueia bens em território americano, e acusou uma organização criminosa de tentar coagir o Judiciário brasileiro, submetendo-o ao crivo de um Estado estrangeiro.
O ministro enfatizou a defesa da soberania nacional, afirmando que ela não pode ser vilipendiada ou extorquida, e rechaçou propostas de anistia aos envolvidos em atos golpistas, argumentando que a impunidade corrói a democracia. Ele elogiou a resiliência das instituições brasileiras, que frustraram uma nova tentativa de golpe de Estado, e destacou que os réus serão julgados como qualquer cidadão, com transparência e acesso igual às provas. Entre os acusados estão ex-ministros como Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Anderson Torres, além do deputado Alexandre Ramagem, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier e o tenente-coronel Mauro Cid, delator da trama.
A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta Bolsonaro e o grupo como núcleo crucial de uma tentativa de golpe para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, envolvendo planos de assassinato de autoridades e apoio aos atos de 8 de janeiro de 2023, que resultaram na depredação de prédios dos Três Poderes. Os crimes incluem organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, com exceção de Ramagem para os dois últimos delitos. Moraes reforçou que a delação de Cid foi legal e que o processo segue o devido rito.