O músico Hermeto Pascoal faleceu na noite de sábado (13/9), aos 89 anos, no hospital Samaritano Barra, no Rio de Janeiro, onde estava internado desde 30 de agosto devido a um quadro de fibrose pulmonar. A morte foi anunciada em seu perfil no Instagram, destacando que o artista “fez sua passagem para o plano espiritual, cercado pela família e por companheiros de música”. De acordo com a publicação, no momento exato de sua partida, seu grupo estava no palco, “fazendo som e música”, como ele sempre desejaria. O texto ainda incentiva a não deixar a tristeza prevalecer, convidando a escutar o vento, o canto dos pássaros e a música universal que segue viva. Hermeto deixa seis filhos, 13 netos e dez bisnetos.
Nascido em Lagoa da Canoa, em 1936, o alagoano era compositor, instrumentista e dominava instrumentos como acordeão, flauta, saxofone e piano, entre outros. Apelidado de “Bruxo” por sua habilidade em transformar barulhos de objetos ou sons inusitados em melodias marcantes, ele fundou o Quarteto Novo e colaborou com ícones do jazz, como Miles Davis. Sua produção musical prolífica, estimada em milhares de composições, reflete uma criatividade inesgotável. Reconhecido internacionalmente, Hermeto ganhou prêmios Grammy e até inspirou o nome de uma rosa e de uma nova espécie de árvore.
Hermeto foi três vezes vencedor do Grammy Latino e recebeu títulos de doutor honoris causa da Juilliard School, da Universidade Federal da Paraíba e da Universidade Federal de Alagoas. Em maio de 2023, ao ser homenageado com o mais alto título da Juilliard School, em Nova Iorque, foi apresentado pelo trompetista Miles Davis, que o nomeou como “o músico mais impressionante do mundo”. O trompetista Wynton Marsalis também prestou homenagem, descrevendo-o como um artista que mescla instrumentos clássicos com objetos como xícaras de chá, tocando tudo que tocasse sua imaginação.