sexta-feira , 6 março 2026
Segurança e Justiça

Tiroteio na Asa Norte revela vulnerabilidades no combate ao tráfico e à insegurança urbana

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Um tiroteio ocorrido na manhã de quinta-feira (25/9) na região da invasão da Chacrinha, na 611 Norte, em Brasília, resultou na morte de Jardell Alves Barnabé, de 38 anos, e deixou duas pessoas feridas, incluindo sua companheira, Antônia de Maria Fernandes de Moura, de 36 anos. O incidente, investigado como possível acerto de contas relacionado ao tráfico de drogas, envolveu 11 disparos de uma pistola calibre .380 efetuados por um homem não identificado, que fugiu para uma área de mata. Jardell, que havia saído recentemente da prisão com liberdade provisória e possuía passagens por tráfico e porte ilegal de arma, foi o alvo principal, atingido por nove tiros. As autoridades destacam que a Asa Norte concentra pontos críticos de tráfico, como a Chacrinha, a 910 Norte e a 410 Norte, onde criminosos se infiltram entre a população em situação de rua.

Moradores e trabalhadores da região relatam uma crescente sensação de insegurança, atribuída à intensificação da violência ligada ao consumo e venda de entorpecentes, especialmente crack. Comerciantes como José, de 42 anos, e Antônio, de 35 anos, descrevem episódios de ameaças, assaltos e brigas, criticando a ausência de policiamento constante. O delegado Paulo Noritika, da 2ª Delegacia de Polícia, pondera que nem toda a população de rua está envolvida em crimes, mas muitos se valem dessa condição para traficar ou furtar. O professor Antônio Suxberger, especialista em segurança pública, enfatiza que a vulnerabilidade social facilita a difusão de drogas, exigindo ações integradas entre forças de segurança e serviços de assistência.

Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) indicam variações nos índices criminais na Asa Norte entre janeiro e julho de 2025, com quedas em roubos a transeuntes e furtos em veículos, mas aumentos em furtos a transeuntes e roubos de veículos. O tenente-coronel Michello Bueno, da Polícia Militar, afirma que operações constantes na Chacrinha reduziram barracas e focam em furtos cometidos por usuários de drogas. A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) atua por meio do Plano Distrital para a População de Rua, com equipes de abordagem oferecendo acolhimento, benefícios e encaminhamentos para políticas de saúde, emprego e habitação, embora muitos recusem ajuda.

Especialistas como Suxberger defendem o aprimoramento de ações conjuntas, incluindo investigações patrimoniais contra grandes traficantes e uso de bancos de dados para diferenciar vulneráveis de criminosos, evitando criminalização generalizada. A DF Legal reforça que abordagens de acolhimento na Chacrinha continuam, visando oferecer emprego, tratamento médico e abrigo, em um esforço para mitigar os impactos do tráfico na região.

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