quinta-feira , 5 março 2026
Saúde

Diretor da OMS alerta para catástrofe humanitária prolongada em Gaza

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O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que a Faixa de Gaza enfrenta uma “catástrofe sanitária e humanitária” que pode se estender por vários anos, exigindo um aumento significativo na ajuda para atender às necessidades da população local. Em entrevista à BBC, ele destacou que os habitantes sofrem com fome, ferimentos graves, colapso do sistema de saúde e surtos de doenças, agravados pela destruição de infraestruturas de água e saneamento, além de restrições ao acesso humanitário. Tedros descreveu a combinação desses fatores como “fatal” e “indescritível”, enfatizando que problemas de saúde mental generalizados podem transformar a crise em uma ameaça para gerações futuras.

De acordo com o Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas, mais de 6.700 toneladas de alimentos entraram em Gaza desde 10 de outubro, mas o volume está abaixo da meta de duas mil toneladas diárias, com uma média de 200 a 300 caminhões por dia, contra os 600 necessários. Tedros apelou às autoridades israelenses para desvincular a ajuda humanitária do conflito, afirmando que ela “não deve ser transformada em arma” e defendendo acesso total sem condições, especialmente após a libertação de reféns vivos e a transferência parcial de corpos pelo Hamas. Ele criticou o confisco de materiais médicos na fronteira, como lonas e pilares para tendas hospitalares, alegando que isso impede a reconstrução do sistema de saúde.

O alerta ocorre em meio a esforços dos Estados Unidos para reforçar um cessar-fogo intermediado após recentes violências, descrito como a primeira fase de um plano de paz que inclui maior fluxo de ajuda sem interferências. Tedros acolheu o acordo, em vigor desde 10 de outubro, mas observou que o aumento de suprimentos médicos foi inferior ao esperado e que o cessar-fogo é frágil, com violações resultando em mortes. A ONU estima que a reconstrução de Gaza custará mais de 60 bilhões de euros, com cerca de 10% destinados ao sistema de saúde danificado, e Tedros reforçou que a paz é essencial para uma resposta humanitária eficaz.

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