O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante coletiva de imprensa na Malásia, que Donald Trump se comprometeu a negociar um acordo rápido para suspender as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Segundo Lula, as negociações devem ocorrer nas próximas semanas em Washington, e ele expressou otimismo de que uma solução definitiva será alcançada em poucos dias. As declarações foram feitas um dia após uma reunião bilateral entre os dois líderes, durante a 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), marcando o primeiro encontro formal entre eles desde o início do governo Trump.
Na reunião, Lula pediu a suspensão das tarifas e a revisão das sanções aplicadas pelos EUA a ministros brasileiros e magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes, qualificando-as como infundadas e baseadas em informações erradas. Ele mencionou que Trump ficou surpreso ao saber que as sanções atingiram até a filha de 10 anos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, punido por envolvimento no programa Mais Médicos, que os EUA consideram um esquema de trabalho forçado cubano. Lula defendeu a legitimidade do julgamento que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por golpe de Estado, argumentando que o ex-presidente faz parte do passado da política brasileira.
Lula destacou que questões políticas serão tratadas diretamente por ele e Trump, enquanto assessores negociarão temas comerciais. Ele ofereceu ajuda para mediar a crise entre EUA e Venezuela, enfatizando a importância de manter a América do Sul como zona de paz. O encontro representou uma melhoria nas relações bilaterais, agravadas em julho pelas tarifas, mas que começaram a se reaproximar em setembro durante a Assembleia Geral da ONU. Trump, por sua vez, expressou otimismo sobre acordos benéficos para ambos os países.