Embora Brasília seja reconhecida por sua arquitetura moderna e efervescência política, a cidade também abriga um rico folclore de histórias assustadoras que remontam décadas. O escritor Thiago de Souza, criador da página no Instagram “O que te Assombra?”, explora essas narrativas em seu livro “Conheça o Lobisomem do Seu Bairro” (2025), misturando humor e pesquisa para revisitar lendas brasileiras. Um destaque é o lobisomem de Ceilândia, descrito como uma criatura alta, de olhos brilhantes e pelos escuros, que uiva nas noites de lua cheia, ataca cães e deixa rastros misteriosos pelas ruas, aterrorizando moradores locais.
Entre as lendas mais marcantes, estão os candangos concretados, operários que, durante a construção da capital nos anos 1950, teriam sido acidentalmente incorporados aos edifícios, resultando em relatos de gritos e passos fantasmagóricos nos prédios. Outra história é a da loira da W3, uma mulher misteriosa que pega táxis à noite e desaparece ao chegar ao cemitério, deixando apenas um perfume forte. No Cemitério do Campo da Esperança, a guardiã Dona Esperança, uma curandeira falecida, é sentida como uma presença protetora, com relatos de passos leves e sensações de serenidade.
No âmbito político, o fantasma do doutor Ulysses Guimarães, cujo corpo nunca foi encontrado após um acidente de helicóptero em 1992, é relatado no Congresso Nacional, com sons de passos, tosses e gargalhadas no Plenário Ulysses Guimarães. Já o Teatro Nacional Cláudio Santoro, fechado há anos, é palco de fenômenos como pianos tocando sozinhos, elevadores se movendo e aparições de uma bailarina e do maestro Cláudio Santoro, atraindo curiosos pelo sobrenatural. Essas narrativas reforçam o imaginário assombrado que permeia a história da capital.