Na próxima sexta-feira (7), a escritora Ana Maria Gonçalves assumirá a Cadeira nº 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL), marcando um momento histórico para a instituição centenária. Aos 128 anos de existência, a ABL receberá pela primeira vez uma mulher negra em seu quadro de imortais. Autora do aclamado romance “Um defeito de cor”, Gonçalves foi eleita com 30 votos, destacando-se por sua contribuição à literatura brasileira contemporânea que aborda temas como escravidão, resistência e identidade racial.
Em conversa com a jornalista Natuza Nery no podcast O Assunto, do g1, a escritora discute o lugar da mulher negra na literatura nacional. Ela detalha a construção da protagonista Kehinde, inspirada na vida de Luísa Mahin, mãe do abolicionista Luiz Gama, que sobrevive à travessia atlântica e à violência escravagista no Brasil. Gonçalves reflete sobre as transformações no país desde 2006, ano de publicação do livro, até os dias atuais, enfatizando as diferenças sociais e culturais.
“Um defeito de cor” conquistou o Prêmio Casa de las Américas em 2007, um dos mais prestigiados da América Latina, e em 2024 serviu como enredo para o samba da escola de samba Portela no carnaval. No episódio, trechos da obra são lidos pela jornalista Maju Coutinho e pelo ator Lázaro Ramos, que também interpreta estrofes do poema “Minha Mãe”, de Luiz Gama, e cartas do autor. O podcast, apresentado por Natuza Nery e produzido por uma equipe incluindo Mônica Mariotti e outros profissionais, acumula mais de 168 milhões de downloads desde 2019.