As duas maiores facções criminosas do Brasil, o PCC e o Comando Vermelho, originárias do Sudeste, expandiram-se nas últimas décadas para outros estados, com forte presença no Nordeste. Um raio-x do Ministério da Justiça revela que mais da metade das organizações criminosas atuantes no país está nessa região, agravando disputas territoriais e problemas de segurança pública. Essa expansão provocou conflitos intensos, como o abandono de uma vila em Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza, no Ceará, transformada em um “território-fantasma” após a expulsão de moradores por grupos rivais.
A repórter Gabriela Azevedo, do g1 Ceará, visitou a comunidade Jacarezal em Pacatuba e relatou cenas de abandono, com casas deixadas para trás contendo móveis e até animais. Moradores expulsos compartilharam relatos de medo e fuga forçada devido às disputas entre facções, que incluíram pichações sobre símbolos de grupos rivais. Essa prática de expulsão é recorrente nas batalhas por território, contribuindo para a escalada de violência na Grande Fortaleza.
O professor Francisco Elionardo de Melo Nascimento, da Universidade Estadual do Ceará e coordenador-executivo do COVIO, o Laboratório de Estudos sobre Conflitualidades e Violência, explica que a chegada dessas facções ao Nordeste intensificou as rivalidades locais, transformando comunidades em zonas de conflito. Ele destaca como essas disputas afetam diretamente a população, forçando deslocamentos e agravando a insegurança, em um contexto onde o crime organizado busca dominar rotas e territórios estratégicos.