sexta-feira , 6 março 2026
Segurança e Justiça

O legado sombrio da ditadura: condenados pela morte de jornalista recebem pensões públicas

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Mário Eugênio Rafael de Oliveira, jornalista de 31 anos, foi assassinado em 11 de novembro de 1984 no estacionamento da Rádio Planalto, em Brasília, durante a ditadura militar brasileira. Apresentador do programa “O gogó das sete” e editor no Correio Braziliense, ele denunciou um grupo de extermínio formado por policiais civis e militares do Exército, responsável pela morte de um proprietário de chácara em Luziânia. O crime envolveu uma facada na nuca e tiros de espingarda calibre 12 e revólver magnum calibre 381, desfigurando o crânio da vítima. Sete suspeitos foram identificados, incluindo o então secretário de Segurança Pública do DF, coronel Lauro Melchiades Rieth, e o delegado Ary Sardella, ambos condenados, mas beneficiados por habeas corpus que arquivaram processos.

Entre os envolvidos, Rieth, que desafiou o jornalista a publicar as denúncias, faleceu há sete anos, e sua filha recebe uma pensão militar de R$ 35 mil mensais desde 2018. Sardella, hoje com 88 anos, ganha mais de R$ 30 mil em remuneração e seguiu carreira como instrutor de tiro esportivo e faixa coral em jiu-jitsu. Outros condenados, como o sargento Antônio Nazareno Mortari Vieira e Divino José de Matos (Divino 45), que efetuou os disparos, também acessam benefícios públicos: a esposa de Mortari recebe R$ 2.837,87 em pensão, e Divino 45, aposentado por problemas mentais, ganha R$ 4,7 mil mensais da Polícia Civil.

O caso reflete a impunidade no período ditatorial, quando 25 jornalistas foram mortos ou desaparecidos. Os cofres públicos do Distrito Federal e da União desembolsam mais de R$ 70 mil mensais em pensões e aposentadorias para os condenados, destacando falhas na accountability de agentes estatais envolvidos em crimes contra a liberdade de imprensa.

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