Eloize Cáceres Duarte, estudante de 19 anos moradora de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, prepara-se para uma extensa jornada até Belém, no Pará, onde participará da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). A viagem, que inclui seis horas de ônibus até Campo Grande e três voos com escalas em Brasília e Macapá, totaliza mais de 20 horas. Eloize brinca que se trata de uma “romaria”, mas enfatiza que o esforço vale a pena para representar o Pantanal Sul-Mato-Grossense no maior evento global sobre clima.
Selecionada como uma das 12 jovens para defender os biomas brasileiros, Eloize conquistou o primeiro lugar entre os representantes do Pantanal após participar da Plenária Preparatória das Juventudes dos Biomas, em Campo Grande, que reuniu mais de 100 ativistas. Nascida e criada em Corumbá, filha de um pescador e uma educadora, ela é aluna de escola pública e se destaca pelo interesse em ciência e ativismo ambiental. Como jovem negra e pantaneira, Eloize vê sua participação como uma forma de inspirar outros e levar as vozes das comunidades locais à conferência.
Na COP30, que começa nesta segunda-feira e deve reunir mais de 50 mil pessoas de quase 200 países, Eloize defenderá o bioma ao lado de Maura, de Cáceres, no Mato Grosso. Ela carrega as histórias de sua família e região, destacando a força da juventude pantaneira na luta por um futuro sustentável. O evento em Belém abordará temas como transição energética e finanças climáticas, com o Brasil buscando firmar compromissos verificáveis para metas globais até 2030.
A escolha de Belém como sede reflete os desafios da aviação regional no Brasil, especialmente para residentes de áreas afastadas, e reforça discussões políticas sobre inclusão e sustentabilidade em negociações internacionais.