quinta-feira , 22 outubro 2026
Segurança e Justiça

Papudinha: a ala reservada que pode abrigar Bolsonaro e já recebeu autoridades condenadas

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O 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, ganhou destaque nacional devido à possibilidade de o ex-presidente Jair Bolsonaro cumprir sua pena de 27 anos e 3 meses de prisão no local. Diferente das alas comuns do complexo Penitenciário da Papuda, a Papudinha é destinada a militares, agentes públicos e autoridades que requerem separação do sistema prisional convencional para preservar sua integridade. Recentemente, a unidade tem sido foco de discussões sobre custódia diferenciada, especialmente após condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023.

Entre os presos mais ilustres que passaram pela Papudinha está o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, detido preventivamente por suposta omissão na segurança do Distrito Federal durante os eventos de 8 de janeiro. Torres, que é delegado da Polícia Federal, permaneceu quatro meses na unidade e foi condenado a 24 anos de prisão na mesma ação que Bolsonaro, encontrando-se atualmente sob monitoramento eletrônico, restrito ao Distrito Federal e autorizado a sair de casa apenas em dias úteis. Outro caso notável é o do ex-governador Benedito Domingos, de 91 anos, preso em 2016 por corrupção passiva e fraude, beneficiado por indulto natalino em 2019, o que anulou sua pena após sete meses, incluindo período em regime semiaberto e posterior prisão domiciliar devido à idade avançada e problemas de saúde.

O ex-secretário de Saúde do DF, Francisco Araújo, também foi encaminhado à Papudinha em 2020, durante a Operação Falso Negativo, que investigou irregularidades em compras de testes para Covid-19. Ele foi solto e absolvido em 2023. Além de políticos, a unidade abrigou oficiais da PMDF investigados por omissão nos atos de 8 de janeiro, como os coronéis Jorge Eduardo Naime Barreto, Marcelo Casimiro Vasconcelos Rodrigues, Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra, o ex-comandante-geral Fábio Augusto Vieira e o ex-subcomandante Klepter Rosa Gonçalves. Esses réus, alvos da Operação Incúria, ficaram detidos preventivamente e agora estão em liberdade provisória com tornozeleiras eletrônicas.

Outros policiais militares, incluindo soldados, sargentos e oficiais intermediários, foram detidos na Papudinha por crimes como tortura em treinamento, abuso de autoridade e violência disciplinar, conforme investigações da corregedoria. Esses casos destacam o papel da unidade como local de custódia para agentes públicos envolvidos em irregularidades graves.

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