Em novembro de 2015, o Brasil enfrentava uma emergência sanitária declarada pelo Ministério da Saúde devido ao vírus da zika, com um surto atípico de microcefalia em bebês, especialmente no Nordeste. Guilherme, nascido em 19 de novembro daquele ano no Recife, é um exemplo vivo dessa crise: sua mãe, Germana Soares, contraiu o vírus no início da gravidez e ouviu de um médico que o filho não sobreviveria além de três meses. Hoje, Guilherme se aproxima dos 10 anos, completando a idade em 19 de dezembro de 2025, e representa milhares de crianças afetadas pela síndrome congênita do zika entre 2015 e 2017.
A história de Germana reflete o abandono enfrentado por muitas mães, que cuidam sozinhas dos filhos sem apoio paterno, como relatado pela repórter Marcelly Setúbal na série “Zika: 10 anos depois” da GloboNews. A médica e pesquisadora Adriana Melo, pioneira na identificação da infecção em grávidas, explica que o vírus interfere no desenvolvimento fetal, causando danos neurológicos graves. Melo foi responsável por alertar autoridades após examinar uma paciente, ligando diretamente a microcefalia ao zika.
Em setembro de 2025, o governo federal inicia o pagamento de indenizações às vítimas da epidemia, uma medida que busca reparar parte dos impactos sociais e econômicos. Essa ação ocorre em meio a reflexões sobre como as crianças afetadas estão hoje, destacando a necessidade de políticas públicas contínuas para apoio às famílias.