A China está progredindo firmemente em direção a uma missão lunar tripulada até 2030, o que pode desafiar o status dos Estados Unidos como líder espacial. Em 30 de outubro de 2025, um porta-voz do programa espacial tripulado chinês afirmou que o país está “no caminho certo” para alcançar esse objetivo. Esse avanço tem gerado preocupações entre políticos e figuras do setor espacial americano, que temem uma perda de prestígio se a China pousar astronautas na Lua antes da missão Artemis III da Nasa, prevista para 2027, mas sujeita a possíveis atrasos. A trajetória chinesa reflete uma visão estratégica de longo prazo, com marcos como o lançamento do primeiro astronauta, Yang Liwei, em 2003, e a construção da estação espacial Tiangong, que pode se tornar o único posto avançado permanente na órbita terrestre após a desativação da Estação Espacial Internacional em 2030.
Para realizar o pouso lunar, a China desenvolveu tecnologias chave, incluindo a nova espaçonave Mengzhou, que substituirá a Shenzhou e transportará até seis astronautas. Essa nave, composta por módulos de tripulação e serviço, será lançada pelo foguete Longa Marcha 10, com testes em andamento e um voo não tripulado previsto para o próximo ano. O módulo lunar Lanyue, nomeado a partir de um poema de Mao Zedong, acomodará dois astronautas e está em fase de protótipos, com missões de teste planejadas para 2027 e 2028. Além disso, a Agência Espacial Tripulada da China revelou trajes espaciais lunares em 2024, demonstrando mobilidade em um evento em Chongqing. Esses desenvolvimentos são apoiados por uma família de foguetes Longa Marcha com taxa de sucesso de 97%, destacando a confiabilidade tecnológica do programa.
O simbolismo político de um pouso chinês na Lua vai além do prestígio, podendo influenciar as regras e agendas de pesquisa no espaço, como alertou o ex-administrador associado da Nasa, Mike Gold, em uma audiência no Senado dos EUA. A China investiu US$ 19 bilhões em programas espaciais em 2024, o segundo maior valor global, embora inferior aos US$ 79 bilhões dos EUA, e suas missões enfrentam menos interrupções políticas. Paralelamente, conquistas robóticas, como a missão Chang’e-6 que trouxe amostras do lado oculto da Lua em junho de 2024, reforçam o alcance tecnológico de Pequim. Iniciativas conjuntas com a Rússia são vistas como rivais ao programa Artemis, que envolve a Nasa e agências de 55 países, intensificando a dinâmica geopolítica na nova era espacial.