Na zona rural de Ho Chi Minh, os túneis de Cù Chi representam um dos legados mais emblemáticos da Guerra do Vietnã, que completou 70 anos de seu início. Transformada em museu a céu aberto, a região preserva mais de 250 quilômetros de túneis subterrâneos, utilizados para transporte, comunicação e abrigo de soldados. Inicialmente criados na luta contra a França, esses túneis foram ampliados para resistir aos Estados Unidos, funcionando como verdadeiras aldeias subterrâneas com cozinhas, hospitais e salas de reunião. No auge do conflito, cerca de 300 mil pessoas circulavam por ali, e crianças chegaram a nascer nos abrigos. O guia local Trinh Cao Thang explica que os ocupantes passavam semanas sobrevivendo de água e raízes.
A engenhosidade dos túneis incluía sistemas como as cozinhas Hoàng Cầm, projetadas para dispersar a fumaça e evitar detecção por ataques aéreos. Kim, guia nos túneis, demonstra o preparo de mandioca, alimento básico dos vietcongs, destacando as dificuldades de cozinhar no escuro. Essa rede subterrânea era crucial para a logística militar: armas vindas do norte pela trilha Ho Chi Minh atravessavam as matas do Camboja e eram distribuídas pelos túneis.
Cù Chi também abrigava operações secretas, com armas escondidas em casas comuns, sob alçapões ou pilhas de tomates. Em um porão, mais de duas toneladas de armamentos foram armazenadas, ao lado de um mapa detalhado da antiga Saigon, usado para planejar ataques e estratégias. Lap, que tinha 12 anos na época, recorda que o local servia para alimentar tropas e planejar ofensivas contra as cinco maiores bases de Saigon, explorando a proximidade com áreas ocupadas por americanos.