O governo da Venezuela, liderado por Nicolás Maduro, anunciou nesta quinta-feira (27) a revogação das licenças de operação de ao menos seis companhias aéreas que suspenderam voos no país. A medida afeta empresas como Ibéria (Espanha), TAP (Portugal), Avianca (Colômbia), Latam (Chile), Turkish Airlines (Turquia) e Gol (Brasil). A decisão surge em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos, após as companhias citarem alertas de reguladores norte-americanos sobre a escalada da atividade militar na região, o que gerou temores de uma possível intervenção.
Mais cedo, na quarta-feira (26), o governo venezuelano havia dado um ultimato de 48 horas para que as operações fossem retomadas, conforme reunião com representantes das empresas na segunda-feira. Pelo menos sete companhias suspenderam voos no fim de semana, atribuindo a paralisação ao deslocamento militar dos EUA no Caribe. A Marinha norte-americana reforçou sua presença com oito navios de guerra, caças F-35 e o porta-aviões Gerald Ford, alegando foco em combater o narcotráfico, com pelo menos 21 ataques realizados contra embarcações suspeitas, resultando em 83 mortes.
As tensões entre Washington e Caracas envolvem acusações dos EUA contra o Cartel de los Soles, classificado como organização terrorista por Donald Trump, o que poderia permitir ataques em território venezuelano. Maduro nega a existência do cartel e acusa os EUA de buscar uma mudança de regime. Autoridades americanas afirmam que as operações não visam remover Maduro diretamente, mas combatem o tráfico de drogas, possivelmente em parceria com a gangue Tren de Aragua, também designada como terrorista. Trump manteve “todas as opções” sobre a mesa, enquanto Maduro qualificou as acusações de “ridículas”.