Horas após o ministro do STF Gilmar Mendes determinar que apenas a Procuradoria-Geral da República pode solicitar o impeachment de integrantes da Corte, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, defendeu publicamente a prerrogativa da Casa Legislativa de abrir processos desse tipo. A decisão de Gilmar, que ainda precisa ser referendada pelo Plenário do Supremo, altera uma norma anterior que permitia a qualquer cidadão apresentar tais pedidos. Alcolumbre classificou a medida como uma “grave ofensa” ao Congresso, destacando o crescente atrito entre os poderes. Nos bastidores, a iniciativa é vista como uma proteção contra eventuais planos bolsonaristas de contestar a Corte.
Esse episódio se insere em um contexto de tensões mais amplas entre o Congresso, o Executivo e o Judiciário. A crise se intensificou com a indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF pelo presidente Lula, que enfrenta resistência no Senado. Parlamentares preferiam o nome de Rodrigo Pacheco para a posição, o que levou Alcolumbre a cancelar a sabatina de Messias e criticar a demora na indicação. Lula, por sua vez, questionou por que a escolha se transformou em um problema. Paralelamente, o Senado aprovou uma medida provisória que regulamenta licenças ambientais especiais, em meio a disputas que envolvem respostas do Congresso a ações do Executivo e do Judiciário.
No podcast “O Assunto”, do g1, o cientista político Cláudio Couto, professor da FGV de São Paulo, analisou os elementos de fundo dessa disputa. Apresentado por Victor Boyadjian, o episódio explora como os atritos recentes geram prejuízos ambientais, fiscais e, principalmente, para a população brasileira. Couto destacou as ações e respostas do Congresso diante de decisões dos outros poderes, concluindo que tais conflitos comprometem a estabilidade institucional do país. O podcast, produzido desde 2019, acumula milhões de downloads e visualizações em plataformas de áudio e no YouTube.