Horas após o ministro do STF Gilmar Mendes determinar que apenas a Procuradoria-Geral da República pode solicitar o impeachment de integrantes da Corte, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pronunciou-se em defesa da prerrogativa da Casa Legislativa de abrir tais processos. A decisão de Mendes, que ainda requer referendo pelo Plenário do Supremo, altera a norma anterior que permitia a qualquer cidadão iniciar esse tipo de ação. Alcolumbre classificou a medida como uma “grave ofensa”, destacando o atrito crescente entre os Poderes.
Esse episódio integra uma série de tensões recentes entre o Congresso, o Executivo e o Judiciário. A crise se intensificou com a indicação de Jorge Messias pelo presidente Lula para uma vaga no STF, que enfrenta resistência no Senado, onde alguns parlamentares preferiam o nome de Rodrigo Pacheco. Alcolumbre chegou a cancelar a sabatina de Messias, criticando a demora na indicação, enquanto Lula questionou por que o caso se transformou em problema.
No podcast O Assunto, do g1, o cientista político Cláudio Couto, professor da FGV de São Paulo, analisou os bastidores dessa disputa, apontando que a decisão de Mendes é vista como uma “vacina” contra planos bolsonaristas. Couto destacou como as respostas do Congresso a ações do Executivo e Judiciário geram prejuízos ambientais, fiscais e, principalmente, para a população brasileira, em meio a aprovações como a medida provisória que regulamenta licenças ambientais especiais.