sexta-feira , 6 março 2026
Política

Câmara avança com PL da dosimetria em meio a protestos e críticas da esquerda

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Apesar das críticas da esquerda após um episódio de agressão a parlamentares do PSol e jornalistas, a Câmara dos Deputados prosseguiu com a Ordem do Dia nesta terça-feira (9/12). O incidente ocorreu quando o deputado Glauber Braga (PSol-RJ) ocupou a mesa-diretora em protesto contra a iminente votação do pedido de cassação de seu mandato. Parlamentares da base governista solicitaram ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), o encerramento dos trabalhos, alegando falta de clima para prosseguir e acusando-o de parcialidade em favor da direita. No entanto, a sessão continuou, abrindo caminho para a possível votação do projeto de lei conhecido como PL da Dosimetria, que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e investigados pelos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

A deputada Fernanda Melchionna (PSol-RJ) criticou duramente a pauta, afirmando que votar o projeto custará caro para a história da Câmara. Ela descreveu a medida como um “casamento de conveniência” entre o Centrão e a extrema direita, destinado a reduzir a pena de Bolsonaro de 27 para dois anos e a passar pano para golpistas. Segundo Melchionna, o texto faz parte de negociações vergonhosas voltadas para as eleições de 2026.

O PL da dosimetria foi apresentado em 2023 por parlamentares do PL e do Republicanos, com o objetivo inicial de anistiar pessoas envolvidas nas manifestações pós-segundo turno das eleições de 2022. Embora tenha tido urgência aprovada na época, o projeto não avançou devido a resistências internas e externas ao Congresso. Atualmente, o relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP) conduz a articulação, defendendo-o como uma solução intermediária para pacificar o país, sem confrontar decisões do Supremo Tribunal Federal, e prevendo benefícios para Bolsonaro. A decisão de levar o texto ao plenário veio após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciar sua candidatura e pressionar pela votação, referindo-se à medida como “o primeiro pagamento” político da direita, interpretado como um recado ao Centrão em negociações para 2026.

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