Os deputados federais Glauber Braga (PSol-RJ), Sâmia Bomfim (PSol-SP) e Célia Xakirabá (PSol-MG) registraram um boletim de ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) após serem removidos à força do plenário da Câmara dos Deputados na noite de terça-feira (9/12). De acordo com o depoimento de Glauber Braga, policiais legislativos federais o retiraram da cadeira da Presidência, supostamente por ordem do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), utilizando força excessiva que resultou em lesão no braço direito e no rasgo de seu paletó. Braga destacou que, em agosto deste ano, deputados da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocuparam a Mesa Diretora sem enfrentar repressão similar.
Sâmia Bomfim relatou ter sido retirada do local por policiais homens, apesar da presença de agentes femininas. Célia Xakirabá afirmou ter sido arrastada, com os braços imobilizados, o cocar arrancado e sofrido uma queda que causou torção no pé e impacto nas costas contra a mesa da Presidência. Ela mencionou ter ouvido os policiais comentarem sobre a ordem de Hugo Motta para usar força imediata. Os parlamentares passaram por exames de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML) e no departamento médico da Câmara.
O incidente ocorreu durante um protesto de Glauber Braga contra a decisão de Motta de pautar a votação da cassação de seu mandato, acusado de quebra de decoro por expulsar com chutes o militante do Movimento Brasil Livre (MBL), Gabriel Costenaro, em abril de 2024. A sessão visava discutir o PL da Dosimetria, que reduz penas de condenados pela tentativa de golpe, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Imagens do plenário mostram a remoção forçada de Braga, com resistência e protestos de outros deputados.