O uso excessivo de celulares e redes sociais pode comprometer funções cognitivas como atenção, memória e raciocínio, segundo especialistas. Janaína Melo, professora de Psicologia na Universidade Estadual do Ceará (Uece), explica que o consumo constante de conteúdos rápidos libera dopamina, habituando o cérebro a estímulos breves e prazerosos, o que dificulta tarefas que exigem concentração prolongada, como ler um livro ou assistir a um filme inteiro. A psiquiatra Lia Sanders, da Universidade Federal do Ceará (UFC), reforça que hábitos fragmentados de atenção tornam desafiador manter o foco em atividades longas, levando a uma redução na qualidade do processamento de informações. Estudos, como o publicado na Psychological Bulletin em 2024 por pesquisadores da Universidade de Griffith, associam o consumo de vídeos curtos a prejuízos no controle inibitório e aumento de ansiedade e estresse.
Além dos efeitos cognitivos, a hiperconexão afeta a saúde mental e o sono, criando ciclos viciosos de isolamento e irritabilidade. Relatos de pessoas como a enfermeira Sacha Nogueira, que experimentou três dias sem Instagram, revelam uma “falsa sensação de companhia” nas redes, substituindo interações reais e agravando a solidão. O neurologista Manoel Alves Sobreira Neto, da UFC, destaca que a luminosidade e a interatividade das telas inibem a produção de melatonina, desregulando o ciclo circadiano e causando sonolência diurna. Pesquisas de 2024 no World Journal of Advanced Research and Reviews apontam riscos como depressão e comportamentos compulsivos, embora reconheçam benefícios como conexões globais.
Especialistas sugerem estratégias para mitigar esses impactos, como monitorar o tempo de tela, priorizar conteúdos longos e criar rituais para proteger o sono, como desligar dispositivos duas horas antes de dormir. Experiências de indivíduos como Kesia Moniely e Giuliana Teixeira, que pausaram as redes sociais, mostram melhorias na produtividade e na autoestima, reduzindo comparações com vidas idealizadas online. Essas abordagens visam restaurar o equilíbrio entre o mundo virtual e o real, promovendo hábitos mais saudáveis.