quinta-feira , 23 abril 2026
Saúde

Cresce o número de infartos entre os jovens nos últimos 15 anos

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O cardiologista Fernando Nobre explica os motivos da incidência do problema nesse público

Segundo levantamento do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), entre 2008 e 2022, o número de internações por infarto aumentou no Brasil. A média mensal de internações subiu quase 160% no período. Entre jovens de até 30 anos, o crescimento foi 10% acima da média.

No dia 24 de julho, Bronny James, o filho de 18 anos do astro da NBA Lebron James, sofreu uma parada cardíaca enquanto treinava com o time de basquete da Universidade do Sul da Califórnia e a questão reforçou o alerta para a ocorrência de doenças cardiovasculares entre os jovens.

O infarto do miocárdio é a morte das células de uma região do músculo do coração por conta da formação de um coágulo que interrompe o fluxo sanguíneo de forma súbita e intensa. A principal causa é a aterosclerose, doença em que placas de gordura se formam nas paredes das artérias coronárias. Na maioria dos casos, o infarto ocorre quando há o rompimento de uma dessas placas, levando à formação do coágulo e interrupção do fluxo sanguíneo.

O estilo de vida, como uso contínuo e abusivo de álcool, hipertensão, aumento do colesterol, diabetes, obesidade, sedentarismo e o tabagismo são fatores que contribuem para essas estatísticas tão alarmantes. No ano passado, 9% da população brasileira com idade entre 18 e 24 anos tinha IMC (Índice de Massa Corporal) igual ou maior que 30 kg/cm², o que configura obesidade. Já em 2023, esse percentual subiu para 17,1%, ou seja, um salto de 90%.

“É possível a prevenção de um infarto. Para isso, basta ficar longe dos fatores de risco. Por exemplo, evite fumar e o consumo excessivo de álcool, tenha o controle da pressão arterial, do diabetes e do colesterol, mantenha o peso dentro dos limites normais (circunferência abdominal menor que 88 cm para mulheres e inferior a 102 cm para homens), com alimentação balanceada e a prática de atividades físicas regulares. Esses hábitos podem, efetivamente, colaborar para a redução de infarto”, explica o cardiologista Fernando Nobre.

Ao iniciar uma rotina de exercícios físicos, o médico lembra que é importante consultar um cardiologista para avaliar as condições de saúde, uma vez que a pessoa pode ter algum problema que desconheça. “É importante que seja feita, ao menos uma vez ao ano, uma avaliação médica especializada, para monitorar se está tudo bem”, orienta.

O especialista explica os primeiros sinais que o corpo dá antes de um infarto cardíaco. “Um dos sinais mais comuns é uma dor muito forte que comprime a região do peito e pode irradiar-se para o braço esquerdo ou dorso. De curta duração, essa dor pode ser acompanhada de sudorese (suor excessivo), náuseas, palidez e até sensação de desmaio. Algumas vezes, o infarto também pode se manifestar com dor no estômago, que pode ser confundida com gastrite”, fala.

Infarto é uma emergência que exige imediato atendimento médico. “Ao sentir os sintomas, procure imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192, ou vá até um pronto-socorro, pois quanto mais rápido o diagnóstico, maior as chances de tratamento e resolução”, conclui.

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