sexta-feira , 6 março 2026
Economia

Brasil comandará o G20 com o compromisso de construir um mundo justo e um planeta sustentável, diz ministro da Fazenda

100

A recente reestruturação da economia brasileira e os impactos e desafios impostos pela atual “policrise” global foram os pontos destacados pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em discurso sobre a presidência brasileira do G20 realizado em Marrakech, no Marrocos, onde representa o Brasil na reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI). Com atividades até sábado (14/10), Haddad também participará de agendas bilaterais e de reuniões preparatórias para a organização do G20, evento que terá o Brasil como país anfitrião em 2024, após o país ter assumido a presidência do grupo este ano. O ministro afirmou que o lema da atuação brasileira para a presidência do G20 será “Construir um mundo justo e um planeta sustentável”.

“Em 2023, colocamos a nossa casa em ordem depois de alguns anos turbulentos”, afirmou o ministro, ao falar sobre o cenário doméstico. Ele mencionou um conjunto de medidas implementadas desde o início do ano: o novo arcabouço fiscal, os avanços na reforma tributária e outras reformas estruturais.

“Reduzimos o desmatamento, renovamos e expandimos programas sociais reconhecidos internacionalmente, como o Bolsa Família, e acabamos de lançar um ambicioso plano de transformação ecológica. Agora, o Brasil está pronto para se voltar aos desafios globais e promover um diálogo construtivo e produtivo em direção ao multilateralismo do século XXI”, destacou Haddad.

G20

A atuação do Brasil na presidência do G20 (sob o lema “Construir um mundo justo e um planeta sustentável”) contará com três linhas prioritárias. A primeira linha de ação será trabalhar para promover a inclusão social e combater a fome em todo o mundo. Em segundo lugar, explicou o ministro, o Brasil vai propor um foco específico sobre os desafios da transição energética e do desenvolvimento sustentável, considerando os pilares social, econômico e ambiental. Por fim, a presidência brasileira no G20 vai atuar para avançar na reforma das instituições de governança global.

Especificamente sobre a “trilha financeira”, Haddad disse que o Brasil aproveitará o legado de sucesso da presidência indiana no G20, com foco renovado em cinco áreas críticas e o estabelecimento de duas novas forças-tarefa: a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e a Mobilização Global contra as Mudanças Climáticas. “Talvez digam que a agenda proposta pelo Brasil para o G20 é ambiciosa demais. Acreditamos que ela é realista e necessária”, afirmou o ministro da Fazenda. Ele citou, ainda, que “o G20 seja talvez o único fórum global com capacidade para promover o multilateralismo do século XXI que o Brasil e muitos outros países estão propondo”.

Cenário mundial

O ministro da Fazenda alertou que a economia mundial enfrenta um momento crítico, em um cenário que exige respostas urgentes e decididas de vários governos e da comunidade internacional, como um todo. “Em vez do triunfo da globalização e de uma ordem mundial liberal centrada no livre comércio, em instituições internacionais baseadas em regras e na promessa de prosperidade para todos, o que vemos hoje é uma crescente fragmentação geoeconômica e um multilateralismo ineficaz, para não falar de uma nova crise da dívida no Sul Global e uma catástrofe ambiental iminente”, apontou.

Ao comentar o panorama de “policrise” global, Haddad afirmou haver várias crises em curso, operando em diferentes níveis, reforçando-se e amplificando-se mutuamente. “Desde a crise financeira de 2008, passando pela Covid-19, até a guerra na Ucrânia, esperamos ansiosamente por tempos melhores e por grandes soluções globais, que infelizmente continuam a fugir de nossas mãos”, declarou.

Fernando Haddad alertou também que 23 anos após a Declaração do Milênio, 10% da população mundial ainda passa fome, enquanto os 10% mais abastados controlam mais de metade do rendimento e 76% da riqueza mundial. O ministro destacou também que as mudanças climáticas são incontestáveis, com efeitos críticos, como o verão mais quente já registrado no hemisfério norte, em 2023. Advertiu, ainda, que gênero, raça e classe social continuam a determinar em grande parte as oportunidades econômicas disponíveis para cada indivíduo ao redor do mundo.

No discurso, o ministro também manifestou “profunda solidariedade” ao povo do Marrocos e ao governo marroquino, em relação ao terremoto que atingiu o país em setembro.

FMI

Fernando Haddad também informou que a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, manifestou decidida inclinação de apresentar um calendário para a revisão das cotas com que cada país emergente contribui para a instituição (inclusive em relação ao Brasil). “Só o fato de ela ter aberto a possibilidade de apresentar um cronograma rígido, que não vai mais ser adiado, é algo bastante positivo”, afirmou o ministro, em conversa com jornalistas.

Ele argumentou que o Brasil, historicamente, tem posição de defesa da proporcionalidade nas contribuições ao fundo. “Questões conjunturais não deveriam [afetar a proporcionalidade], pois quando você rompe com um princípio que está entre as razões de ser da própria instituição, este organismo vai perder legitimidade e apoio no médio e longo prazo”, concluiu o ministro. Debates sobre a revisão das cotas dos países-membros é um dos temas da pauta da reunião anual do FMI.

Programação

Na agenda desta quinta-feira (12/10), o primeiro compromisso de Haddad é uma reunião bilateral com Nirmala Sitharaman, ministra das Finanças da Índia. O encontro é um dos últimos compromissos da indiana frente à trilha financeira do G20, cuja presidência será assumida por Haddad.

Ainda nesta quinta-feira haverá uma sessão plenária do Development Committee, seguida por reuniões bilaterais com Bruno Le Maire, ministro da Economia e Finanças da França, e Kristalina Georgieva, diretora-geral do FMI. Também está programada uma reunião com Dilma Rousseff, presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento, antecedendo a reunião de bancada com o FMI. O dia se encerra com um jantar ministerial do G20.

Na sexta-feira (13/10), Haddad terá um encontro bilateral com Amina Mohammed, secretária-geral adjunta da ONU. Em seguida, há um compromisso com Sri Mulyani, ministra das Finanças da Indonésia, e uma sessão do Finance Ministers and Central Bank Governors (FMCBG) G20. À tarde, a agenda do ministro contará com um encontro com Jeremy Hunt, chanceler do Tesouro do Reino Unido, Ajay Banga, presidente do Grupo Banco Mundial e Achim Steiner, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O sábado (14/10) será marcado pela plenária do International Monetary and Financial Committee (IMFC). Para o mesmo dia está programado o retorno de Fernando Haddad ao Brasil.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Templo religioso em Brasília com Câmara Legislativa ao fundo, representando isenção de taxas e críticas por privilégios fiscais.
Distrito FederalEconomiaPolítica

Cldf aprova isenção de taxas para templos e desperta críticas por privilégios fiscais

CLDF aprova isenção de taxas para templos, gerando críticas por privilégios fiscais...

Mercado Ceasa no DF com caixas de frutas e caminhões sob céu nublado, representando aprovação de verbas com críticas por falta de transparência.
Distrito FederalEconomiaPolítica

Cldf aprova R$ 15 milhões para Ceasa em meio a críticas por falta de transparência

CLDF aprova crédito de R$ 15 milhões para Ceasa, mas falta de...

Edifício da CLDF em Brasília sob céu nublado, simbolizando críticas ao presidente do BRB por falta de transparência na gestão.
Distrito FederalEconomiaPolítica

Presidente do BRB enfrenta críticas na CLDF por falta de transparência na gestão

Presidente do BRB enfrenta críticas na CLDF por falta de transparência na...