A Secretaria Estadual de Saúde (SES) anunciou a implementação do método Wolbachia nos municípios de Valparaíso de Goiás e Luziânia, no Entorno do Distrito Federal. A estratégia envolve a soltura de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que impede a proliferação dos vírus da dengue, zika e chikungunya. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou excepcionalmente a implementação desse método no Brasil em 2022, por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A empresa Wolbito do Brasil explica que esses mosquitos, chamados de Wolbitos, ao se reproduzirem com os mosquitos locais, transmitem a bactéria para seus filhotes, reduzindo a transmissão dos vírus.
Goiás registrou 123.218 casos de dengue em 2025, com 72.331 confirmados, além de 53 mortes confirmadas e 79 em investigação. A escolha de Luziânia e Valparaíso para a implementação do método se baseia em alta incidência das doenças e proximidade com Brasília, onde há um núcleo de produção. A biofábrica fica no Paraná, e Brasília possui um entreposto de distribuição. Detalhes sobre a soltura serão alinhados com as prefeituras, incluindo ações educativas em escolas e unidades de saúde.
O método Wolbachia foi introduzido experimentalmente no Brasil em 2015 e está presente em várias cidades como Rio de Janeiro, Niterói, Campo Grande, Belo Horizonte e Petrolina. A Wolbito Brasil garante que o método é seguro, natural e não envolve modificação genética. A bactéria Wolbachia é comum em muitos insetos, mas foi inserida no Aedes aegypti na Austrália. No Brasil, ovos de mosquitos com Wolbachia foram importados e cruzados para adaptar a bactéria a uma linhagem local.