Em reunião na Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra, o Brasil criticou o uso de tarifas como instrumento de coerção e ameaça, alertando para riscos à estabilidade econômica global. O embaixador Philip Fox-Drummond Gough, sem citar diretamente o presidente Donald Trump, destacou que negociações tratadas como “jogos de poder” podem levar à instabilidade e à guerra. Suas observações receberam apoio de cerca de 40 países, incluindo membros do Brics, União Europeia e Canadá. Gough acusou tarifas arbitrárias de desestruturar cadeias globais de valor, potencialmente causando uma espiral de preços altos e estagnação, e condenou o uso de medidas comerciais para interferir nos assuntos internos de outros países.
O embaixador brasileiro defendeu uma reforma estrutural da OMC para restaurar seu papel em soluções de controvérsias e na defesa de economias em desenvolvimento, especialmente diante da paralisação do Mecanismo de Solução de Controvérsias causada pela ausência de indicações dos EUA para o órgão. Ele ressaltou violações generalizadas às normas comerciais e afirmou que, se negociações com Washington sobre a suspensão de tarifas não avançarem, o Brasil recorrerá a todos os meios legais disponíveis, priorizando soluções negociadas mas incluindo o sistema da OMC se necessário. A delegação dos EUA respondeu indiretamente, expressando preocupação com condições desiguais de competição para trabalhadores e empresas americanas.
Enquanto isso, os EUA firmaram acordos com países como Japão, Reino Unido, Vietnã, Indonésia, China e Filipinas para reduzir tarifas, com o Japão concordando em investimentos de US$ 550 bilhões e tarifas recíprocas de 15%. Trump indicou disposição para ceder se mercados se abrirem a produtos americanos, ameaçando tarifas maiores caso contrário. Países como União Europeia, Canadá e Brasil, que enfrenta uma tarifa de 50% sobre exportações a partir de 1º de agosto, ameaçaram retaliação, com negociações em andamento para possíveis ajustes.