O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, aprovou nesta quinta-feira (14) um plano para construir milhares de novas habitações entre Jerusalém e o assentamento de Ma’ale Adumim, com o objetivo declarado de “enterrar” a ideia de um Estado palestino. Segundo Smotrich, membro da extrema-direita, essa iniciativa isolaria Jerusalém Oriental do resto da Cisjordânia ocupada, tornando inviável o reconhecimento de um Estado palestino contíguo. Em cerimônia de anúncio, ele afirmou que “não há nada a ser reconhecido e ninguém para ser reconhecido”, e agradeceu o apoio do ex-presidente norte-americano Donald Trump, apelando ao premiê Benjamin Netanyahu para impor a soberania israelense na região.
O plano, conhecido como E1, prevê mais de 3 mil casas e uma nova estrada para separar o tráfego palestino e israelense, ligando Belém a Ramallah e contornando Jerusalém. Embora evitado por anos devido à pressão internacional, o projeto avançou sob o governo de Netanyahu, que desde 2022 aprovou um número recorde de assentamentos e apropriações de terras palestinas. Autoridades militares ainda precisam aprovar o plano, possivelmente na próxima quarta-feira, e as obras poderiam começar em meses, com construções de casas em um ano.
A decisão gerou críticas de grupos como o Peace Now, que alertou para o risco de um “abismo” e condenou o avanço do governo. O anúncio ocorre em meio a condenações da Autoridade Palestina e países árabes à recente declaração de Netanyahu sobre um “grande Estado de Israel”, e contraria a decisão do Tribunal Internacional de Justiça, que no ano passado declarou ilegal a presença israelense nos territórios ocupados e exigiu a suspensão de assentamentos. No próximo mês, na Assembleia Geral da ONU, nações como França, Canadá, Austrália e Portugal planejam reconhecer o Estado palestino.