A morte do estudante João Gabriel Matos da Silva, de 20 anos, baleado por um policial civil no Recanto das Emas, no Distrito Federal, gerou protestos e questionamentos sobre a conduta policial. O incidente ocorreu na quinta-feira à noite, quando João Gabriel pilotava uma moto com um amigo de 15 anos na garupa. Segundo testemunhas, o agente, em uma viatura descaracterizada, abordou a dupla, resultando em um disparo que atingiu ambos. O pai da vítima, João de Assis, contesta a versão de fuga e afirma que o tiro foi desnecessário, acertando o filho pelas costas. A Corregedoria da Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o caso, com análise de depoimentos e câmeras de segurança.
A tragédia mobilizou moradores, que protestaram na 27ª Delegacia de Polícia exigindo justiça, alegando que a falta de identificação policial poderia ter confundido a vítima com um assalto. João Gabriel, que cursava tecnologia da informação mas havia trancado o curso, planejava se mudar para o DF com a família. O pai, em entrevista, destacou que o filho pediu socorro em seus últimos momentos e prometeu buscar justiça. O adolescente ferido já depôs, e sua versão pode ser crucial para esclarecer os fatos.
O advogado criminalista Adilson Valentim analisou a ação, criticando abordagens com viaturas descaracterizadas por aumentarem riscos de mal-entendidos. Ele comparou a letalidade policial no DF, com 15 casos em 2024, ao de Goiás, com 209 no primeiro semestre, atribuindo a diferença a modelos de governo: repressão em Goiás versus maior escolaridade e questionamento de direitos no DF. Valentim enfatizou a necessidade de treinamentos modernos, focados em desescalada e direitos humanos, fiscalizados por corregedorias e Ministério Público.