Um estudo realizado por pesquisadores da MSD Brasil revela que o diagnóstico tardio do câncer de colo de útero eleva significativamente os custos para o Sistema Único de Saúde (SUS), demandando mais internações, quimioterapias e procedimentos médicos. Analisando dados de 206.861 mulheres com mais de 18 anos diagnosticadas entre 2014 e 2021, via DataSUS, o levantamento aponta que 60% dos casos no Brasil são identificados em estágios avançados, impactando a sobrevida das pacientes e o orçamento público. O Instituto Nacional de Câncer estima cerca de 17 mil novos casos anuais, reforçando a urgência de investimentos em prevenção para aliviar a carga sobre o sistema de saúde.
O estudo destaca disparidades sociais e econômicas, com a maioria dos diagnósticos afetando mulheres não brancas, de baixa escolaridade e dependentes do SUS. Até 80% das mortes por esse tipo de câncer ocorrem em países de baixa e média renda, como o Brasil. Além disso, a pandemia de Covid-19 agravou o cenário, reduzindo em 25% os procedimentos de radioterapia e em cerca de 13 pontos percentuais as cirurgias isoladas em 2020, enquanto a quimioterapia isolada aumentou em 22,6%, indicando lacunas no tratamento devido ao colapso hospitalar.
Os pesquisadores enfatizam que 99% dos casos estão ligados a infecções persistentes pelo HPV, preveníveis por vacinação, exames de rotina e tratamento de lesões pré-cancerígenas. No SUS, a vacina quadrivalente é oferecida gratuitamente a adolescentes de 9 a 14 anos e a grupos específicos até 45 anos, enquanto a nonavalente está disponível na rede privada. O levantamento apela por políticas públicas assertivas para ampliar a cobertura vacinal e o rastreamento, visando reduzir desigualdades e otimizar recursos para o tratamento oncológico.