A Polícia Federal, com apoio da Receita Federal, deflagrou uma das maiores operações da história do Brasil contra o crime organizado, mirando fraudes no setor de combustíveis e esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação, coordenada pelos ministérios da Justiça e da Fazenda, ocorreu simultaneamente em 10 estados e resultou no bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em ativos, sequestro de 192 imóveis, 21 fundos de investimento e duas embarcações, além da apreensão de 141 veículos. As investigações rastrearam R$ 52 bilhões em transações ilícitas nos últimos quatro anos, com sonegação de R$ 7,6 bilhões em tributos, e identificaram o uso de fintechs e fundos para ocultar recursos, incluindo a aquisição de uma frota de 1.600 caminhões.
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, classificou a ofensiva como um marco histórico, destacando a integração entre órgãos como PF, Receita e Ministérios Públicos Estaduais para combater a migração do crime para a economia legal. Foram deflagradas três operações: Carbono Oculto, Quasar e Tank, com 350 mandados de busca e apreensão cumpridos por mais de mil profissionais. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicou que a rede envolvia camadas de ocultação patrimonial, atingindo líderes do esquema e estrangulando fontes de recursos ilícitos, como usinas de etanol e distribuidoras controladas pelo grupo.
A Receita Federal anunciou uma nova instrução normativa para impor obrigações de transparência às fintechs, semelhantes às de outras instituições financeiras, visando fechar brechas usadas na lavagem de dinheiro. As apurações revelaram a participação de empresas como Copape/Aster, multada em R$ 2 bilhões, e a fintech BK Bank, além da gestora Reag, com patrimônio de R$ 299 bilhões. Autoridades enfatizaram que o crime organizado domina setores da economia real, com prejuízos estimados em R$ 4 bilhões em tributos federais sonegados, inaugurando um novo paradigma de combate integrado.