Uma tragédia marcou a madrugada de domingo na Comunidade Terapêutica Liberte-se, no Boqueirão, área rural do Paranoá, no Distrito Federal, onde um incêndio resultou na morte de cinco internos: Darley Fernandes de Carvalho, José Augusto, Lindemberg Nunes Pinho, Daniel Antunes e João Pedro Santos. Outras 11 pessoas foram hospitalizadas com queimaduras e intoxicação por fumaça no Hospital Regional Leste e no Hospital Regional da Asa Norte. O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal mobilizou 10 viaturas para combater as chamas, que se iniciaram por volta das 3h e se espalharam rapidamente por cômodos da casa, com fumaça densa e labaredas altas saindo do telhado.
Relatos de sobreviventes e vizinhos destacam falhas graves na estrutura da clínica, como a ausência de extintores, saídas de emergência e a prática de trancar portas e janelas com grades e cadeados durante a noite, o que dificultou o resgate. Internos como Daniel Gonçalves e Luís Nascimento descreveram esforços para quebrar janelas e salvar colegas, enquanto vizinhos, incluindo a professora Rafaela Souza, forçaram portões e usaram baldes de água da piscina em tentativas desesperadas de socorro. Familiares, como Dione da Silva Oliveira, pai de uma vítima, criticaram a demora na comunicação da clínica sobre o ocorrido, alegando que o incidente só foi conhecido por meio de notícias.
A Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística do DF (DF Legal) afirmou que a clínica possuía licença de funcionamento válida na última fiscalização, esclarecendo um equívoco com outra unidade de mesmo nome em Sobradinho, que foi interditada. No entanto, os relatos de irregularidades levantam questionamentos sobre a efetividade da fiscalização governamental em instituições de reabilitação. A 6ª Delegacia de Polícia do Paranoá investiga o caso, incluindo condições de internação e regularização do espaço, com o delegado-chefe Bruno Carvalho previsto para atender a imprensa. Em nota, a direção da clínica lamentou as mortes, expressou solidariedade às famílias e comprometeu-se a colaborar com as autoridades para esclarecer os fatos.