O Distrito Federal enfrenta uma escalada preocupante nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com 6.377 casos registrados até 7 de setembro de 2025, um aumento de 31% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram 4.842. Esse número supera também os 5.621 casos de 2023, resultando em uma taxa de 196,8 por 100 mil habitantes, a mais alta dos últimos três anos. Fatores como temperaturas acima de 30°C, umidade relativa entre 15% e 20% – bem abaixo dos 60% recomendados pela OMS – e a poluição agravada por poeira, fumaça de queimadas e inversão térmica contribuem para o cenário, tornando a população mais vulnerável a vírus respiratórios, especialmente crianças e idosos.
Crianças de até 1 ano lideram as estatísticas, com 3.051 internações em 2025 contra 2.426 no ano anterior, seguidas por aquelas de 2 a 10 anos, com 1.679 casos. Idosos acima de 80 anos registraram 393 internações, um leve aumento em relação a 359 em 2024. A infectologista Marina Salgado destaca que a combinação de seca, calor e poluentes reduz a defesa das vias respiratórias, favorecendo quadros graves. Relatos como o de Shirleny Araújo, 39 anos, que enfrenta gripe persistente desde sua chegada de Bahia, e de Heldo Lima Souza, 36, asmático cujo quadro piorou com a fumaça, ilustram os impactos. Giovani Mesquita, 21, também buscou atendimento no Hospital da Asa Norte devido à irritação na garganta agravada pelo ar seco.
Um incêndio no Lago Oeste, que consumiu 28 hectares de vegetação, exemplifica os riscos ambientais, chegando perto de residências e mobilizando o Corpo de Bombeiros. Moradores como Eliane Aparecida dos Santos Vieira, 59, e Yuri Menezes, 62, relataram momentos de pânico, com chamas a metros de suas casas e perdas significativas em propriedades. No fim de semana, o DF registrou 62 ocorrências de incêndios, totalizando 1.826 hectares queimados, agravando a qualidade do ar em regiões como Fercal, segundo o Instituto Brasília Ambiental.
Para mitigar os riscos, a Secretaria de Saúde recomenda vacinação contra influenza e covid-19, além de medidas como hidratação, uso de soro fisiológico e umidificação de ambientes, conforme orienta o pediatra Deivson Mundim, do Hospital Anchieta Taguatinga.