A filial do Instituto Liberte-se no Lago Oeste, no Distrito Federal, enfrenta graves acusações de maus-tratos, tortura, trabalhos forçados e violência sexual, incluindo um caso de transfobia. De acordo com o Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), uma mulher trans internada na instituição, que era predominantemente masculina, foi espancada após responder a um comentário transfóbico. A representante do MNPCT, Carolina Lemos, descreveu o incidente como tortura, destacando que a vítima foi puxada da cama e agredida fisicamente. O caso foi registrado na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), e a Justiça determinou o encerramento imediato das atividades da clínica de tratamento para dependentes químicos.
Relatos de internos incluem agressões contra idosos, como um homem de mais de 60 anos que foi enforcado e espancado ao tentar fugir. Os pacientes eram obrigados a realizar trabalhos forçados para manutenção da comunidade, com punições físicas ou perda de benefícios, como visitas familiares, em caso de recusa. A avaliação do MNPCT apontou falhas estruturais, como o uso de cadeados para trancar os internos à noite, a presença de um facão debaixo da cama de um monitor e a ausência de protocolos para crises de abstinência, deixando os internos sem apoio especializado.
Em 16 de setembro, uma força-tarefa com órgãos de defesa dos direitos humanos, incluindo representantes do MNPCT como Carolina Lemos e Camila Antero, o deputado distrital Fábio Felix (Psol), a deputada federal Érika Kokay (PT), a coordenadora Keka Bagno, a conselheira Thessa Guimarães, o professor Pedro Costa, Maria Socorro Leitão e membros do Ministério dos Direitos Humanos, visitou o local. Na sequência, a 35ª Delegacia de Polícia prendeu três responsáveis, e o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) instaurou investigação. Dois dias depois, os donos foram soltos após audiência de custódia e responderão em liberdade.