sexta-feira , 6 março 2026
Saúde

Crise do metanol avança no Brasil e provoca operação federal contra adulterações

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A contaminação de bebidas alcoólicas por metanol já atinge cinco estados brasileiros — São Paulo, Pernambuco, Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul — além do Distrito Federal, com 128 casos registrados pelo Ministério da Saúde, dos quais 11 estão confirmados. Há uma morte confirmada em São Paulo devido à ingestão de bebida adulterada, enquanto outras oito mortes no mesmo estado, uma em Pernambuco, uma na Bahia e uma no Mato Grosso do Sul seguem em investigação. Em resposta ao avanço dos casos, a Polícia Federal, em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária, deflagrou a Operação Cessatio, com fiscalizações em indústrias de bebidas em São Paulo (região de Campinas), Santa Catarina (Chapecó e Joinville) e Minas Gerais (Poços de Caldas), mesmo nos estados sem registros de intoxicação.

Especialistas como Siddhartha Giese, analista químico do Conselho Federal da Química, destacam que o metanol, substância tóxica semelhante ao etanol em aparência e odor, pode ser identificado por análises laboratoriais que revelam impurezas e origens, como produção industrial ou clandestina. A ingestão de metanol é perigosa porque o corpo o converte em formaldeído e ácido fórmico, causando acidose metabólica, danos ao nervo óptico, cegueira e até a morte — com doses letais a partir de 30 ml para adultos. Falsificadores optam por bebidas destiladas como gim, uísque e vodca, onde a adulteração é mais viável economicamente, embora o metanol seja ligeiramente mais caro que o etanol no varejo, mas acessível no mercado clandestino.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recomendou que a população evite bebidas alcoólicas destiladas, enfatizando que a adulteração de cervejas é mais difícil e menos lucrativa. No entanto, especialistas como Glauce Guimarães Pereira, do Conselho Regional de Química de São Paulo, alertam que falsificações em bebidas fermentadas, como cerveja, são possíveis, mas facilmente detectáveis devido ao baixo teor alcoólico e complexidade aromática, tornando-as menos atrativas para criminosos. A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal reforça que tal adulteração não traria vantagens comerciais.

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