A reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não tem data definida, mas uma trégua nas relações bilaterais tem sido observada desde o breve encontro dos dois na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 23 de setembro, em Nova York. Autoridades americanas, como o secretário de Estado Marco Rubio, pararam de criticar o governo brasileiro e o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente após a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Em vez de novas sanções, houve redução de tarifas sobre produtos brasileiros, como madeira e móveis, o que beneficiou as exportações em cerca de US$ 370 milhões, conforme destacou o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Do lado brasileiro, Lula evitou ataques a Trump em discursos, e a Câmara de Comércio Exterior suspendeu um relatório sobre medidas recíprocas contra os EUA. Negociações estão em andamento, com o Brasil disposto a reduzir tarifas sobre etanol americano e assinar acordos para exploração de terras raras pelos EUA. Alckmin conversou por telefone com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, planeja avançar nas discussões durante viagem a Washington para o G20, onde espera falar com o secretário do Tesouro, Scott Bessent.
Diplomatas apostam em um encontro durante a Cúpula da Asean, na Malásia, em 26 de outubro, ou na Itália, em 13 de outubro, durante evento da FAO, embora Trump não tenha confirmado presença. O governo brasileiro prefere um local neutro para evitar constrangimentos, e uma videoconferência preparatória é cogitada. No entanto, o shutdown nos EUA, que paralisa a administração pública e afeta até a embaixada em Brasília, pode atrasar as tratativas, embora haja otimismo para uma reunião no final de outubro.