Os recentes casos de intoxicação por metanol em bebidas destiladas geraram um impacto significativo no comércio do Distrito Federal, com 90% dos empreendedores relatando queda no consumo, segundo pesquisa do Sindicato Patronal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sindhobar-DF). A estimativa aponta para uma redução de cerca de 20% nas vendas, compensada parcialmente pelo aumento no consumo de cervejas e chopes. Empresários como Jael Antônio da Silva, presidente do sindicato, destacam que estabelecimentos estão adotando medidas para reforçar a segurança, como verificação de fornecedores e publicações em redes sociais sobre a procedência das bebidas.
Em locais específicos, como o Supremo Restaurante no Gama, o proprietário Flávio Marcelo da Fonseca Silva observou uma queda de 90% na procura por destilados, com migração para opções consideradas mais seguras. No Don Potiguar, no Novo Gama, a auxiliar administrativa Jessica de Lima Cardoso relatou uma diminuição de 40%, enquanto no Birosca, no Conic, Igor Albuquerque implementou treinamentos para identificar bebidas falsificadas, resultando em uma redução nos drinks de 40-50% para 14% do faturamento. Já no Samba da Tia Zélia, na Vila Planalto, a produtora Melissa Silva suspendeu indefinidamente a venda de destilados, priorizando cervejas enlatadas, e a medida foi bem recebida pelo público.
O Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-DF) intensificou inspeções, autuando 15 de 16 estabelecimentos fiscalizados por irregularidades como produtos clandestinos sem registro no Ministério da Agricultura e Pecuária. O secretário Gilvan Máximo enfatizou a atuação preventiva para proteger a saúde pública. No caso do cantor Hungria, um exame detectou 0,54 mg/dL de metanol no sangue, acima do limite de referência, mas a Secretaria de Saúde do Distrito Federal e o Ministério da Saúde descartaram intoxicação, afirmando que traços dentro de limites seguros são esperados em bebidas legais.