quinta-feira , 22 outubro 2026
Segurança e Justiça

Devolução de crianças adotadas revela falhas no sistema brasileiro de adoção

226

O documentário “E se você não me quiser?”, ainda em produção, aborda o delicado tema das adoções interrompidas no Brasil, destacando as dificuldades enfrentadas por crianças devolvidas e as barreiras para uma nova adoção. As filmagens começaram neste mês no Rio de Janeiro e em Curitiba, com previsão de lançamento no primeiro semestre de 2026. A ideia surgiu em 2011, quando o produtor Eliton Oliveira leu uma reportagem sobre devoluções de crianças, levando-o a pesquisar o assunto com especialistas como médicos, psicólogos, advogados e representantes de conselhos tutelares. No Rio, o filme foca nas trajetórias de Bruno e Pedro: Bruno, que viveu nas ruas com a mãe usuária de drogas e alcoólatra, foi adotado e devolvido antes de encontrar uma segunda família; Pedro, adotado por um casal de mulheres, pediu para ser devolvido devido à ausência de uma figura paterna idealizada, resultando em traumas.

A diretora Ana Azevedo enfatiza que o processo de adoção é frequentemente romantizado, ignorando a necessidade de preparação das famílias para lidar com a bagagem emocional das crianças, muitas vindas de contextos de abuso e negligência. Ela relata casos de agressividade e violência no lar, como os vividos por Bruno com sua segunda família, Tati e Rogério, que persistiram apesar das dificuldades. Azevedo alerta para as consequências graves da devolução, que agravam traumas existentes, e defende um debate mais amplo sobre a responsabilidade dos adotantes.

De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de cada 100 crianças adotadas no Brasil, cerca de nove têm o processo desfeito, totalizando 2.198 devoluções desde 2019 em um universo de 24.673 adoções. Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considere a adoção irrevogável, juizados atendem pedidos de devolução para evitar maus-tratos. Um diagnóstico de 2024 do CNJ e da Associação Brasileira de Jurimetria aponta fatores como diagnósticos psiquiátricos e falta de preparação familiar como razões comuns, resultando em impactos psicológicos profundos nas crianças, incluindo depressão, baixa autoestima e dificuldades de vinculação. O estudo recomenda maior suporte e acompanhamento no processo de adoção.

Artigos relacionados

Reprodução do card do podcast Papo Político, da CBN Goiânia, ao lado das taxas de homicídio por 100 mil habitantes no Entorno do DF: Luziânia 27,1, Novo Gama 24,1, Planaltina de Goiás 22,3, Valparaíso de Goiás 21,1 e Distrito Federal 10,3. Fonte: Atlas da Violência 2026 (Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
OpiniãoPolíticaSegurança e Justiça

Goiás tem o dobro de homicídios do DF no Entorno de Brasília

O slogan de que Goiás ostenta a melhor segurança pública do Brasil...

Ministério Público Eleitoral pede multas diárias para perfis que mentem sobre Cristóvão Tormin
EleiçõesPolíticaSegurança e Justiça

Ministério Público Eleitoral pede multas diárias contra fake news de Cristóvão Tormin

O Ministério Público Eleitoral em Goiás emitiu parecer favorável à representação dos...

Prédio do TJDFT em Brasília com documentos de aposentadoria de professores, representando concessão integral.
Distrito FederalEducaçãoSegurança e Justiça

TJDFT e PGDF concedem aposentadoria integral a 237 professores do DF

Uma parceria entre o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos...